Blog de falvesoli


 

CARTÃO VERMELHO PARA UM SINDICALISMO ESCANDALIZADO

As quase duas mil e setecentas conexões que possuo neste Linkedin -profícuo canal de comunicação, reduto e tribuna de discussão profissional e empresarial- não só me conhecem profundamente como há anos vivenciam minha lida profissional de vida executiva e consultiva de quase 40 decênios, sempre em defesa dos legítimos interesses do sindicalismo patronal digno, amplamente proficiente e que, sem subterfúgios, siga de encontro aos reais interesses comuns dos partícipes das entidades, não só quanto à defesa institucional dos legítimos direitos da categoria econômica representada, mas também nos trâmites que saia da crônica mesmice de um mero órgão arrecadador de recursos, sem representatividade ou prestação de serviços aos seus representados, reais financiadores do sistema. Como tal, clientes e não (até então) míseros contribuintes obrigatórios dessas entidades.

Ocorre que a legislação sindical recentemente extinta era jurássica e. idêntica ao de um cadáver insepulto. Originária do ditador Vargas e parida nos anos 40, estava inteiramente deteriorada por vícios arraigados ao longo de mais de 70 décadas e até então vivendo do chamado imposto sindical que em 1986 teve sua nomenclatura substituída -por desnecessária lei- em “contribuição” Mudaram o rótulo, mas o conteúdo continuou o mesmo. Por especificidades da era ditatorial quando de seu advento, o patrão cumpria a gratuita obrigação de descontar do salário do empregado e recolhê-la ao representativo sindicato laboral. Deixassem isto a cargo do próprio empregado...

Já frisei em outras dezenas de artigos e volto a repisar. É mais do que evidente que as entidades sindicais, sejam elas de empregadores ou de empregados, necessitam de uma forma digna de financiamento. Mas igualmente, também terão de purgar e pagar pelos pecados da incontestável crise de identidade que os vícios acumulados, balcão de negócios e perpetuidade de seus dirigentes geraram ao longo dos últimos setenta anos. .

É só sair às ruas e fazer uma pesquisa popular a respeito do tema. Quem se habilita?

Quanto às federações e confederações patronais (entidades de segundo e terceiro grau), o produto que lhes cabia no rateio do bolo contribuição compulsória extinta era insignificante. Em verdade, elas vivem, mesmo (e faustosamente) é da arrecadação proveniente do magnânimo “Sistema S”, proveniente de outro imposto descontado da folha de pagamento das empresas. Ou seja, dinheiro dos empresários destinado ao treinamento profissional e lazer dos trabalhadores. O montante dessa dinheirama é estratosférico. Se a federações e confederações dependessem unicamente do reparte do bolo da contribuição sindical, não daria para pagar o salário de seus porteiros...

É fora de dúvida que seguramente chegamos, finalmente, ao caos sindical. Não resta nenhuma dúvida de que 2018 será o ano da verdade sindical. No segmento patronal as empresas já estão sendo extremamente seletivas quanto ao recolhimento de taxas, impostos e despesas gerais.

Como tal, só o associativismo (e aplicado a preceito) é que salvará o sindicalismo brasileiro.

De minha parte, confesso claramente que estou farto de mourejar dando murros em pontas de facas neste ambiente decadente e inóspito e que perde o respeito dia após dia, mas absoluta e totalmente convicto de que cumpri de forma extremada com minha obrigação profissional, atestada por décadas de trabalho executivo e consultivo, e tendo como comprovação disso os meus dois livros editados pela mais tradicional e reputada editora especializada em obras versando sobre as relações do Trabalho deste País (LTr). Além delas, pelas dezenas de artigos publicados nas mais expressivas mídias jurídicas e jornalísticas deste país e ainda como autor e apresentador de uma palestra versando especificamente sobre o tema.

O cartão vermelho já está na praça para punir, de vez, quem não enveredar de imediato pela redenção sindical patronal única. Ela chama-se associativismo!

Mas, enfim, quem sabe se a partir de agora, ante a visão horrenda da falência, os recalcitrantes dirigentes patronais estarão finalmente dispostos a mudar de rumo...

                                                    



Escrito por falvesoli às 06h35 PM
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